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Em um cenário eleitoral polarizado, com muitos políticos do chamado "centrão" de olho no Palácio do Planalto e pouco dinheiro para financiar as campanhas, um grupo aparentemente homogêneo de eleitores vem brilhando os olhos dos presidenciáveis: os evangélicos. Eles somam praticamente um terço da população, segundo o Datafolha, e podem ser decisivos para definir o pleito.
A três meses do prazo para um candidato se filiar ou trocar de partido, os interessados em participar da disputa eleitoral intensificaram seus movimentos para conquistar o segmento.
Nos últimos dias, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, interessado em concorrer pelo PSDB, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que cogita sair candidato pelo PSD, fizeram aceno aos evangélicos. Segundo colocado nas pesquisas presidenciais, o deputado Jair Bolsonaro(PSC-RJ) também tem despertado a simpatia aos evangélicos.
Lula e Bolsonaro estão empatados nesse segmento, segundo o Datafolha. O ex-presidente tem 14% de preferência, contra 13% do parlamentar. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Apesar de católico, Bolsonaro já se batizou no rio Jordão (Israel) pelas mãos do pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC, partido que ele decidiu abandonar para disputar o Palácio do Planalto.
Voto evangélico com peso maior
Na avaliação do cientista político Antonio Lavareda, o voto evangélico terá um peso maior nas eleições de 2018 devido ao fim do financiamento privado de campanhas. "Provavelmente o voto evangélico vai ser mais importante nessa eleição de 2018 do que já foi anteriormente no Brasil", afirmou ao HuffPost Brasil.
De acordo com Lavareda, "as eleições de deputados federais e estaduais e também a presidencial e de governador vão ser eleições com orçamentos inusuais, provavelmente os mais baixos de toda a Nova República. Nesse contexto, candidatos apoiados por corporações quantitativamente relevantes levam vantagem".
O Congresso aprovou R$ 1,716 bilhão para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha neste ano. O fundo foi criado em resposta à proibição das doações empresariais, decidido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2015.
Especialista em pesquisas eleitorais e ex-consultor de estratégia de 91 campanhas majoritárias, Lavareda destaca o aumento da bancada evangélica no Congresso Nacional e a expansão do número de representantes desse setor eleitos nas eleições municipais de 2016, com destaque para áreas na periferia das regiões metropolitanas.
A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso conta com 199 deputados e 4 senadores. Levantamento do Departamento de Assessoria Parlamentar identificou que nas eleições de 2014 foram eleitos 74 novos deputados do setor, seguindo tendência de crescimento.
Lavareda ressalta que não necessariamente o novo presidente será evangélico, mas lembra que candidatos dessa religião tiveram desempenho relevante em recentes eleições presidenciais.
Ele cita 2010, quando Marina Silva disputou o cargo pelo PV, conquistou o terceiro lugar, com 19,33% dos votos. Já em 2002, Anthony Garotinho, que concorreu pelo PSB, também ficou em terceiro, com 17,86% dos votos. No segmento, ele tinha 42% das intenções de voto, enquanto Lula, vencedor do pleito, tinha 27%, segundo o pesquisador.
O voto dos evangélicos é mais orgânico do que de outras religiões, segundo o especialista. Isso significa que esse setor vota mais em bloco, de acordo com a orientação dos líderes religiosos. "Se uma denominação evangélica apoiar um candidato, vai ficar mais fácil um apoio maior desses fiéis para esse candidato", exemplifica.
Em 1991, 9% da população do País se declarava evangélica, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2010, o grupo chegou a 22%. Segundo pesquisa Datafolha publicada em dezembro, os fiéis dessa religião correspondem a 32% dos brasileiros.
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